NOTÍCIA


PIRARUCU – Junior Costa, o aquicultor que dominou o a espécie em cativeiro

PIRARUCU  – Junior Costa, o aquicultor que dominou o a espécie em cativeiro
28 de Setembro de 2017
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*Por Antônio Oliveira


Com fotos cedidas pelo Projeto Pirarucu ES


O Pirarucu (Arapaima Gigas), espécie amazônica, criado em cativeiro, há décadas, em quase todo o Brasil, ainda é um quebra-cabeça para muitos criadores e até para institutos públicos e privados de pesquisas – até mesmo para a Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), que vem pesquisando o chamado “bacalhau brasileiro” ou “boi d´água” em sua unidade de pesquisas em Palmas, capital tocantinense.


Conforme a Embrapa Pesca e Aquicultura, parte das técnicas de criação de pirarucu vem do conhecimento empírico dos produtores e de estudos técnicos realizados nos últimos anos.


– É uma espécie que ainda demanda muita tecnologia e estudo porque não está em nível muito alto de avanço científico e tecnológico. E nesse projeto temos várias ações de pesquisa tentando resolver gargalos da produção e estamos avançando – afirma a pesquisadora da Embrapa, Adriana Lima, líder do Projeto Pirarucu da Amazônia.


Este Projeto realiza pesquisa científica em diferentes áreas do conhecimento, envolvendo reprodução, manejo da produção, genética, nutrição, sanidade e, paralelamente, realiza ações de transferência de tecnologia para levar esse conhecimento e novos processos aos produtores.


A pesquisa acontece também nos sete estados da região Norte, com envolvimento das unidades da Embrapa nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, tendo a coordenação da Embrapa Pesca e Aquicultura.


Corajosos pioneiros


Mas há alguns projetos desenvolvidos por pessoas alheias às pesquisas desses institutos que vêm dando bons resultados, como em Rondônia – o maior fornecedor de alevinos da espécie -, Bahia e Espírito Santo.


É deste Estado, talvez o maior case de sucesso com esse valente peixe amazônico. E olha que ele não e Agrônomo, Zootecnista, Veterinário, Biólogo ou Engenheiro de Pesca. Ele é um profissional das ciências contábeis.


Junior Costa está no ramo há 15 anos e diz não se arrepender nenhum um pouco por ter entrado nesta atividade. Ao contrário, mostra-se sempre satisfeito com o negócio e feliz em termos de realização pessoal.


Apaixonado por peixes desde criança, segundo ele, Júnior conta como começou sua paixão por esta espécie.


– vi esse peixe em uma festa agropecuária e a primeira impressão achei muito bonito. Depois comecei a estudar suas características biológicas e vi um grande potencial pra cativeiro.


Com projeto instalado em São Mateus, região norte do Espírito Santo, quase divisa com o sul da Bahia, Junior Costa diz acreditar muito no potencial comercial do pirarucu.


– Como se trata de uma espécie que chega a pesar 10 quilos por ano, tem respiração aérea, fato esse que ajuda muito no cultivo em cativeiro, vejo com muito potencial gastronômico no Brasil e exterior, sem dúvidas trata-se de uma espécie de grande potencial produtivo em alimento saudável – afirma.


São 15 anos pesquisando a espécie, enfrentando, ainda conforme ele, altos e baixos do comportamento da espécie.


– Muitas dificuldades? questiono o otimista aquicultor.


– Foram muitas, mas as duas principais são: formar os casais e fazer o treinamento alimentar dos alevinos, ensinar a comerem ração – conta.


– Muitos prejuízos, volto a perguntá-lo.


– Tive inúmeros prejuízos, até ter um pouco de conhecimento.


– Por enquanto – conta-me Júnior Costa -, só trabalho com reprodução e alevinagem. No futuro também farei abate.


Aliás, conforme lembrei ao criador, um dos maiores “calcanhares de Aquiles” de criadores e pesquisadores do pirarucu, em todo o Brasil, ainda são a reprodução/alevinagem e a alimentação da espécie. No Projeto Pirarucu ES, do Júnior, está claro que ele já não tem mais muitos problemas quanto a isto. Mas, perguntado se dominou estas técnicas, ele foi ponderado:


– Temos que se unir mais a respeito desses gargalos, cada estado tem suas peculiaridades sobre o manejo – defende.


O aquicultor demonstra não ser egoísta. Mostra-se disposto a ajudar o Brasil a dominar o “bruto das águas”.


– Nesses longos anos pesquisando na prática, eu adquiri técnicas que me ajudam muito, e sim, posso ajudar muito.


– E qual seria a técnica, o senhor pode revelar? – perguntei para ouvir uma resposta cautelosa.


– Essas técnicas são de uso do meu projeto, más se eu tiver propostas do Governo, me beneficiando em algo, posso sim estudar as possibilidades de parcerias.


Nutrição do pirarucu


Outra questão que abordei com o aquicultor capixaba foi em relação a nutrição do pirarucu em cativeiro.


– Isto é um problema superado pelo Senhor? – questionei-o.


– Hoje temos grandes fábricas que já têm uma ração de qualidade. Mas usar forrageiros como alimento vivo também é uma saída. Eu tenho todos esses dados e sempre passo para os meus clientes.


-E qual é a ração ideal para o pirarucu em cativeiro? – voltei a indagá-lo.


– Nunca menor que 40% de teor de proteína.


Plantel


A Piscicultura Pirarucu ES tem hoje um plantel de 12 casais em reprodução e mais 300 matrizes para formação de novos casais. Seus clientes estão dispersos pelo Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Goiás


Poderes públicos ausentes


– Como o Senhor analisa as políticas públicas para a pisciculturas? – provoquei-o, esperando que ele alfinetasse os poderes públicos. E alfinetou.


– Sinceramente, nobre amigo, não sei de uma que funcione. Pelo menos nunca vi. Nós, piscicultores estamos abandonados politicamente: rações com impostos caríssimos; vamos tirar as licenças é outra guerra. O setor púbico tem que entender que se tem alguém que se preocupa com a qualidade da água, esse alguém são os piscicultores. Em água poluída, peixe não cresce.


* Com informações da Embrapa Pesca e Aquicultura


 


Fonte: Piscishow e Avisuleite


https://piscishoweavisuleite.com.br/2017/09/27/pirarucu-junior-costa-o-aquicultor-que-dominou-o-a-especie-em-cativeiro/


 



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